Guia do Nativo #14 – Vale do Anhangabaú

O Vale do Anhangabaú que hoje é um respiro e uma janela ao horizonte em meio a tantos prédios e ruas curtas da São Paulo Antiga, há muito tempo foi o quintal dos fundos da cidade. Afinal a urbanização de São Paulo começou a partir do leste, pelo lado do rio Tamanduateí e por conta disso todos olhavam para dentro, ou seja, para a rua São Bento e para a Libero Badaró.

VÍDEO

Vale do Anhangabaú

No começo do século 20, para conectar a São Paulo Velha com a nova usando bondes elétricos, era necessário ter uma ligação plana, e para o conforto da população foram projetados 2 viadutos, o primeiro foi o viaduto do chá, onde Julio Martin apresentou um projeto para a construção.

Depois de um ano de negociações os interesses da cidade prevaleceram e em 1892 o viaduto foi inaugurado em estrutura metálica vinda da Alemanha. Nos primeiros anos de funcionamento, quem quisesse atravessar o viaduto mesmo a pé, tinha que pagar um pedágio de 3 vinténs.

Viaduto Santa Ifigênia

O segundo viaduto foi construído em 1913, o viaduto santa Ifigênia, que teve os materiais importados da Bélgica. Esses viadutos fizeram com que o centro antigo, onde estavam os hotéis, bancos e o comércios de luxo se conectassem com as novas zonas de expansão da cidade.

O Viaduto Santa Ifigênia conectava a Rua São Bento com a Rua Casper Libero que levava à principal porta de entrada de São Paulo pelos imigrantes, a Estação da Luz.

A região do Vale acabou passando por um dilema, porque de um lado tínhamos uma cidade moderna, com bondes elétricos e viadutos em ferro importado, mas por baixo o fundo de quintal de casas, que eram praticamente cortiços, resquícios de chácaras antigas e plantações de chá.

Se propunha diversos projetos, um deles foi o teatro municipal, que era a construção mais luxuosa, um símbolo de cultura e civilidade.

Theatro Municipal

Alguns queriam que a região do vale fosse um local ajardinado para uso público, que integrasse a região do teatro municipal com a região da Praça Patriarca, uma figura da época chamada Conde de Prates que era um negociante paulista, dedicado aos ramos imobiliários, bancários, de ferro e proprietário das terras do vale do Anhangabaú foi dos primeiros a iniciar construções, lá ele fez os Palacetes de Prates e foi considerado uma alavanca para a modernização com edifícios e monumentos, como por exemplo o Edifício Sampaio Moreira que foi considerado o primeiro arranha-céu de São Paulo (ou um dos, quem leu o post do Martinelli vai entender) com 14 andares, inaugurado em 1924 e que hoje ainda está de pé.

Em determinado momento, o fundo se tornou frente e passou a se chamar de sala de visita de São Paulo. Essa área da cidade passou a ser conhecida como nobre, chique e sofisticada.

Escada rolante que da acesso à galeria Prestes Maia

Em 1938 um novo projeto em concreto armado no estilo art déco substituiu o antigo e junto com este novo viaduto surgiu a galeria Prestes Maia, onde haviam reuniões da sociedade e exposições de arte. Em 1955 muita gente ia lá só para ver uma grande novidade, a escada rolante, acho que a primeira de São Paulo. Infelizmente hoje se encontra fechada e a marquise é abrigo para pessoas em situação de rua.

Depois da Guerra haviam propostas para que o Vale fosse remodelado e que também fosse adequado ao crescimento da cidade ao longo dos anos 30 e 40.

Avenida abaixo do Vale

O Vale não poderia ser só jardim, mas deveria ser uma importante passagem de veículos e conexão para ligar bairros do sul com a parte norte, então uma obra que durou até os anos 80 foi concluída, era uma grande avenida abaixo do Viaduto do Chá.

Notando a degradação pelo fluxo intenso de carros, nos anos 90, houve então um projeto para reorganizar a região do vale e revitalizar a área, assim, a avenida foi colocada abaixo do vale e está assim até hoje.

Para visitar os locais citados acima, você pode usar o metrô, descendo na estação Anhangabaú, pode ir com um ônibus que te leve até a praça Ramos de Azevedo, de carro também é bastante fácil, para estacionar, você pode buscar estacionamentos atrás do teatro e por último e mais importante, você pode ir de bicicleta, já que toda a área possui ciclo faixa e o shopping Light tem bicicletário gratuito!

Publicado por Guia do Nativo

Em 1993 nasceu um jovem que hoje é um amante de idiomas, culturas e paisagens, que está aprendendo a fotografar e escrever, pois assim poderá registrar melhor os aprendizados e erros inevitáveis. Estudou hotelaria e administração, mas isso é apenas um detalhe.

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